Onde vivem os livros de Biblioteconomia?

Eu tenho uma lista infinita de livros que quero ler e uma lista bem mais modesta de livros que quero comprar. Obviamente alguns desses títulos são livros de Biblioteconomia e, ás vezes, é bem difícil conseguir um exemplar, especialmente de edições em português. Nossa área publica pouco e as reedições são coisa rara. Por isso, cuide bem dos seus exemplares.

Se você procura livros em formato digital – PDF, pra ser mais específica – o Portal do Livro Aberto e o site da Abecin são opções. No primeiro você encontra livros sobre Gestão da Informação, Ciência da Informação, Representação, Tecnologia da Informação, dentre outros temas. Já no site da Abecin é possível fazer o download da Coleção Palavra-Chave. Não sabe que livros integram essa coleção? Que tal o Sociedade e Biblioteconomia, do Almeida Junior e/ou Serviços de Referência & Informação, da Nice Figueiredo? 😉 No site da Febab também é possível fazer download de algumas obras.

Um local por vezes ignorado nesse tipo de busca, mas que pode reservar bons achados, são os Repositórios Institucionais (RI). Se você está tendo dificuldade de encontrar um livro, descobrir os vínculos institucionais do autor e conferir o repositório das instituições onde ele/a atua pode fazer toda diferença. Ah, e mantenha a mente aberta, pois, dependendo de como a obra for estruturada, os capítulos podem ter sido postados separadamente no RI. Isso pode acontecer, por exemplo, com os capítulos de obras publicadas como coletânea. Nesses casos, também vale a pena pesquisar pelo título ou autor do capítulo que você procura.

– “Ah, Izabel, mas eu quero é o livro impresso porque não sei viver sem aquele cheirinho de livro e livro de Biblioteconomia então… cheira melhor ainda.”

-Bem, aí as coisas começam a ficar mais complicadas. Dependendo do título que você estiver procurando posso até mandar um “que os jogos comecem” antes de continuar escrevendo este texto. Mas vamos lá…

Com o fim da Livros de Biblio (o qual ainda não superei) ficamos com três livrarias especializadas: a Briquet de Lemos, a Interciência e a Thesaurus Editora. Porém, todavia, entretanto, uma visita rápida ao site mostra que a Briquet de Lemos está deixando de comercializar livros impressos. A maioria dos livros de Biblioteconomia disponíveis na Briquet só pode ser adquirida no formato PDF. Na Thesaurus o problema da falta de reedições fica visível, pois boa parte dos títulos da área encontra-se com status de esgotado. A Interciência ainda tem uma significativa quantidade de títulos com exemplares impressos disponíveis para venda, mas algumas obras também já estão esgotadas.

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Por onde andam os livros de Biblioteconomia? Fonte da imagem: Pixabay

Garimpar em sites de grandes livrarias como a Cultura e a Saraiva é uma opção. Aliás, se for para escolher uma das duas: comece pela Saraiva, pois ela costuma ter mais títulos da nossa área. Gosto de procurar em sites de livrarias menores também como, por exemplo, a Martins Fontes. Já encontrei um livro sobre paleografia muito bom lá. Outras opções são o site do Grupo de Profissionais em Informação e Documentação Jurídica do RJ e a Alfagrama Ediciones (Argentina).

Como parte da produção de Biblioteconomia é editada por editoras universitárias ou associações profissionais muitas vezes esses são os únicos lugares em que vamos encontrar determinadas obras. Algumas opções são a Associação Rio-grandense de Bibliotecários e a Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal. No caso de livrarias vinculadas a universidades é comum que elas revendam (em suas lojas físicas) livros de outras editoras universitárias além dos seus próprios. E caso você não possa ir pessoalmente a loja, entre em contato por telefone ou e-mail, pois muitas das editoras universitárias já possuem a opção de venda online.

Por fim, temos a Estante Virtual. Por reunir sebos e pequenos livrarias do país inteiro este site é uma excelente opção para encontrar edições usadas de obras esgotadas nas livrarias. Gosto bastante da Estante Virtual pela possibilidade de comprar em locais diferentes dentro de um mesmo pedido e pela opção de cadastrar livros que quero, mas ainda não estão no site para, desse modo, receber um alerta quando eles estiverem disponíveis. Mais informações sobre essa funcionalidade você encontra nesse post aqui da Thalita Gama.

Quando você estiver procurando livros de Biblioteconomia tenha em mente que eles podem estar alocados nas mais diversas áreas e categorias. É comum encontrar títulos de Biblioteconomia inseridos em Administração e Comunicação nos sites de compra. Por isso, mesmo que o site possua a categoria “Biblioteconomia”, é sempre bom conferir o acervo relativo as áreas próximas a nossa.

Por fim, não custa lembrá-los/as que bibliotecas universitárias de instituições que ofertam o curso de Biblioteconomia possuem livros dessa área e que, mesmo não sendo mais estudante da instituição, a consulta local ao acervo costuma ser possível. 😉

Se você tiver alguma dica ou sugestão para auxiliar os intrépidos caçadores de livros de Biblioteconomia é só escrevê-la nos comentários. Até mais! 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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#BiblioTermos – Periódicos Científicos

Também denominado de journal, learned journal, primary journal e scholarly journal, o periódico científico surgiu no século XVII em um momento de transformação do meio científico, pois foi nessa época que evidências baseadas na observação passaram a ser exigidas a fim de se comprovar o conhecimento científico.

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Capa da 1ª edição do Journal des Sçavans. Fonte: Wikimedia Commons

O primeiro periódico científico foi o Journal des Sçavans, posteriormente nomeado de Journal des Savants, cujo primeiro número foi publicado em 5 de janeiro de  1665. Aproximadamente três meses depois foi lançado o Philosophical Transactions, pela Royal Society of London for Improving Natural Knowledge (FACHIN; HILLESHEIM, 2006). Apesar de ambos serem considerados periódicos científicos havia uma diferença no tipo de conteúdo. O Journal des Sçavans, além de divulgar experiências, publicava obituários e resumos de livros, enquanto o Philosophical Transactions tinha seu conteúdo formado exclusivamente por relatos de experiências científicas (MUELLER, 2000). Continuar lendo

Desejos de Ano Novo

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Que eu seja uma bibliotecária melhor. Estou no processo, mas ainda falta muito.

Que cresça o número de colegas bibliotecários/as que erguem a voz contra a censura, a lgbtfobia, o racismo, o machismo e outras formas de preconceito. Vocês são incríveis! Obrigada por me inspirarem.

Que nesse novo ano as pessoas parem de chamar “preconceito” de “opinião”. Não é “apenas uma opinião” se suas palavras e atos ajudam a sustentar estruturas que roubam dignidade e perpetuam violência.

Que a gente comece a construir uma relação mais saudável com a leitura.

Que a Biblioteconomia encare o novo (e o antigo) com criticidade e de modo equilibrado.

Que alguns títulos de Biblioteconomia que estão esgotados sejam relançados. 😀

E, se possível, que este bloguinho, mantido por um grão de areia, continue crescendo, se espalhando e sendo útil. Nos vemos em 2018. Boas Festas!

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Biblioteconomia e mídias sociais: algumas considerações

Eis que finalmente chegamos a postagem mais aguardada, ao tema mais votado na eleição de aniversário, ao queridinho das multidões: Biblioteconomia e mídias sociais. Adianto que talvez – certeza absoluta, na verdade – este post não corresponda as expectativas de vocês.

Amo mídias sociais e sou uma entusiasta do uso dessas ferramentas pelas unidades de informação de uma maneira geral e pelas bibliotecas em particular. Acredito que estes espaços são ótimas oportunidades para ampliarmos a visibilidade e o alcance de nossas ações. E quando falo em alcance não estou pensando no número de likes, mas sim nas opções de serviços que podem ser criados fazendo uso dessas ferramentas. Continuar lendo

Considerações sobre Estudo de Usuários

Confesso que achei um tanto quanto surpreendente estudo de usuários ser um dos temas mais votados na enquete de aniversário do blog. Afinal, se tem uma unanimidade na Biblioteconomia é que “realizar estudos para conhecer os usuários é importante” e por isso, vez por outra, saem textos sobre esse tema. Textos esses que são escritos por gente com um Currículo Lattes muito mais chiquérrimo que o meu. Alguns exemplos de pesquisadores do tema são o Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG), Jonathas Luiz Carvalho Silva (UFCA), Murilo Bastos Cunha (UnB), Sueli Angelica do Amaral (UnB), dentre outros. Temos também os textos clássicos da Nice Figueiredo. Por tudo isso, nunca pensei que vocês iam querer ler justo essa reles graduada falando sobre o tema, mas já que vocês votaram… Aqui vamos nós. 😉

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Quem pergunta quer saber… Mas lembre-se que nem sempre as respostas vão lhe agradar. Fonte da imagem: Pixabay

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100 postagens do Estante de Bibliotecária!

O Estante de Bibliotecária chegou a sua postagem de número 100. Uhuuuuu!!!!!

E para comemorar estou realizando a postagem de número 101 só para dividir a alegria de manter e partilhar com vocês esse espaço por tanto tempo e tantos textos. Também passamos de 11.ooo visitantes únicos, ou seja, 11.000 pessoas já visitaram o bloguinho. Nada mal para um blog que conta (apenas) com o generoso compartilhamento de seus/suas leitores/as para ganhar o mundo. Diante desses números só me resta comemorar. 😀

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Pequenas recomendações para sobreviver a organização de um evento

Dando início a série de postagens elaboradas a partir dos temas mais votados na eleição que rolou aqui no blog hoje vou falar sobre organização de eventos. Mais especificamente a organização de eventos em bibliotecas.

Neste texto não vou falar sobre o aspecto protocolar dos eventos, sobre as ferramentas de controle e operacionalização, a posição das bandeiras, a ordem das autoridades na mesa de abertura e etc. Caso você esteja em busca desse tipo de informação pode consultar livros como o Organização de eventos: teoria e prática, da Maria Cecilia Giacaglia ou o Manual do profissional de Secretariado: organizando eventos, da Maria Thereza Bond e Marlene Oliveira. A propósito, a área de Secretariado Executivo possui várias obras dedicadas a este tema e os cursos de graduação nessa área costumam oferecer disciplinas voltadas para isso.

Bibliotecas, bem ou mal, costumam organizar algum tipo de evento. Pode ser uma contação de histórias, um cine clube ou um treinamento de normalização. Então essa prática não é completamente alheia a nossa rotina. O que pode ser estranho para alguns é a sistematização desse processo. Continuar lendo